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Dia Mundial do Cérebro: ciência e precisão transformam o cuidado neurológico

23 de jul. de 2026 • Tempo de leitura 5 minutos de leitura
Dia Mundial do Cérebro: ciência e precisão transformam o cuidado neurológico

Novos biomarcadores, terapias modificadoras de doença e procedimentos de alta precisão vêm ampliando as possibilidades de diagnóstico e tratamento em neurologia. Esses avanços, entretanto, exigem seleção criteriosa dos pacientes, monitoramento e integração multidisciplinar.

Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro traz, em 2026, o tema “Saúde cerebral: acesso para todos”. A iniciativa da World Federation of Neurology destaca o desafio de transformar a evolução das neurociências em acesso oportuno ao diagnóstico e ao cuidado especializado. Atualmente, mais de 3,4 bilhões de pessoas vivem com alguma condição neurológica, principal causa global de adoecimento e incapacidade.

Diagnóstico cada vez mais preciso

A investigação das doenças neurodegenerativas avança para uma abordagem que integra manifestações clínicas, avaliação neuropsicológica, neuroimagem e biomarcadores.

Na doença de Alzheimer, exames de líquido cefalorraquidiano e PET cerebral já permitem identificar alterações relacionadas à fisiopatologia da doença. Mais recentemente, biomarcadores sanguíneos, como p-tau217 e p-tau181, vêm ganhando relevância por possibilitarem uma investigação menos invasiva.

Em 2025, a FDA autorizou, nos Estados Unidos, o primeiro teste sanguíneo destinado a auxiliar na identificação de patologia amiloide em pacientes com sinais de declínio cognitivo. O recurso pode contribuir para a seleção dos pacientes que necessitam de confirmação por PET cerebral ou análise do líquido cefalorraquidiano.

Esses resultados, no entanto, não devem ser interpretados isoladamente nem utilizados como rastreamento populacional. O diagnóstico permanece baseado na integração entre história clínica, exame neurológico, avaliação cognitiva e exames complementares.

Uma nova etapa no tratamento do Alzheimer

Os anticorpos monoclonais direcionados à beta-amiloide inauguraram uma nova fase no tratamento da doença de Alzheimer, até então concentrado principalmente no controle dos sintomas.

No Brasil, a Anvisa aprovou o donanemabe, em abril de 2025, e o lecanemabe, em janeiro de 2026. As terapias são indicadas para pacientes em fase inicial da doença, com patologia amiloide confirmada e critérios clínicos específicos.

Os estudos demonstraram redução da carga amiloide e desaceleração do declínio cognitivo e funcional. Os medicamentos, porém, não revertem perdas já estabelecidas nem representam cura.

Sua indicação exige decisão compartilhada e monitoramento por ressonância magnética devido ao risco de anormalidades de imagem relacionadas à amiloide, conhecidas como ARIA. Genotipagem de APOE, doença cerebrovascular, uso de anticoagulantes e outras condições clínicas devem integrar a avaliação de risco e benefício.

Procedimentos mais precisos e personalizados

No AVC isquêmico, novas evidências ampliaram a indicação da trombectomia mecânica para grupos selecionados de pacientes com grandes áreas de isquemia, reforçando a importância da neuroimagem avançada, da avaliação individualizada e de fluxos assistenciais ágeis.

Na neurocirurgia, recursos como neuronavegação, tractografia, monitorização neurofisiológica e mapeamento cortical permitem abordagens mais precisas, especialmente em tumores próximos a áreas relacionadas à linguagem e à motricidade.

Também avançam as terapias de neuromodulação. Sistemas de estimulação cerebral profunda adaptativa ajustam os estímulos de acordo com os sinais neurais do paciente, favorecendo tratamentos mais personalizados para condições como a doença de Parkinson. O ultrassom focalizado guiado por ressonância amplia ainda as possibilidades de controle de sintomas motores em pacientes selecionados.

Inteligência artificial no apoio à decisão

A inteligência artificial já auxilia na análise de exames de imagem, na identificação e quantificação de alterações e no planejamento de procedimentos. Também são estudados biomarcadores digitais baseados em fala, movimento, sono e desempenho cognitivo.

Essas ferramentas podem aumentar a agilidade e a reprodutibilidade das análises, mas devem permanecer subordinadas ao julgamento clínico. Validação dos modelos, transparência, proteção de dados e controle de vieses são fundamentais para sua adoção segura.

Da inovação ao acesso

Os avanços científicos estão transformando o diagnóstico e o tratamento das doenças neurológicas. Ao mesmo tempo, reforçam a necessidade de jornadas assistenciais estruturadas, com integração entre especialistas, exames, monitoramento, reabilitação e acompanhamento longitudinal.

No Centro de Excelência em Neurologia e Neurocirurgia da BP, esse cuidado é apoiado pela atuação integrada de diferentes especialidades, por recursos voltados à alta complexidade e por uma UTI Neurológica exclusiva, favorecendo avaliações individualizadas e decisões clínicas mais precisas. Entre os avanços incorporados pela instituição está o PET-DOPA, um PET-CT realizado com um radiotraçador específico para avaliação da via dopaminérgica, cuja alteração está associada à doença de Parkinson e a outras condições que cursam com parkinsonismo. A BP será pioneira no Brasil na realização desse exame, ampliando as possibilidades de diagnóstico em neurologia.

No Dia Mundial do Cérebro, a mensagem central permanece: a inovação só se transforma em benefício clínico quando está associada ao diagnóstico adequado, à indicação responsável e ao acesso oportuno ao cuidado especializado.


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